Projeto DSD Consultores

Administração, Finanças, Geral - 22/01/2013

Tristeza pode ser prejudicial à saúde financeira das pessoas

Pessoas tristes têm mais dívidas do cartão de crédito e financiamentos, empréstimos e seguros duvidosos.

Existe uma prática, a princípio inexplicável, das empresas de cartão de crédito dos Estados Unidos: sempre que descobrem, comparando dados pessoais, prática permitida no mercado americano, que um de seus clientes se divorciou, as empresas cortam seu limite de crédito.

A redução é ainda mais radical caso o cliente seja do sexo masculino, diminuindo o limite pela metade. A explicação: analisando o histórico de crédito de recém-separados, matemáticos a serviço dessas empresas cruzaram os dados e notaram que não muito tempo depois de mudar seu status de relacionamento para “solteiro” no Facebook os homens, principalmente, começam a ter problemas para pagar suas dívidas.

Existe uma lógica para a tristeza comprometer a saúde financeira

À primeira vista, pode parecer um exagero – além de uma intromissão indevida na vida dos clientes -, mas um estudo recente conduzido pelos departamentos de psicologia das Universidades da Harvard e Columbia, nos Estados Unidos, mostrou que há uma lógica emocional por trás dessa situação: “as pessoas tristes são mais impacientes e frequentemente irracionais”.

“Nos últimos dez anos, estudos aprofundaram essas descobertas, mostrando que pessoas tristes têm mais problemas com a saúde financeira pessoal, dívidas do cartão de crédito e financiamentos, empréstimos e seguros duvidosos”. Por trás de todos os resultados, está o que chamam de miopia de tristeza.

A miopia da tristeza é, segundo o estudo, responsável por um preconceito momentâneo que leva as pessoas a ignorar os ganhos maiores que vêm com a espera em troca de satisfação imediata. Mais: o gasto em si recebe mais atenção do que o benefício que poderá produzir. A miopia da tristeza, conclui a pesquisa, é um fenômeno robusto e potencialmente perigoso para a vida financeira das sociedades.

É certo que decisões econômicas, incluindo o que compramos, envolvem escolhas que costumam ser feitas com base em razões que nos parecem consistentes. “As pessoas não querem pagar ou consumir mais do que deviam mesmo quando estão tristes”, observa Nitika Garg, professora da Autralian School of Business. É bem capaz que neguem a influência, como os voluntários da maioria dos estudos. Mas ainda: a combinação de tristeza e consumo em excesso pode levar a um ciclo em que o próprio hábito de gastar leva a alterações de humor. Por que então a propensão aos gastos?

“A pessoa que está propensa a comprar pensa; ‘Eu sou a solução para os meus problemas’, explica Vera Rita de Mello Ferreira, psicanalista. “E uma das formas mais fáceis de encontrar satisfação é por meio das compras”. Quanto mais radical a sensação de perda ou de desamparo, mais radical será a busca por compensação”.

Esse não é um processo consciente, ressaltam todos os estudos. E nem mesmo faz sentido à luz da lógica, se uma pessoa triste é mais pessimista, o normal seria que nas centenas de decisões que toma todos os dias fosse mais cética.

Economistas e psicólogos tomam direções diferentes quando tentam explicar o papel das emoções nas decisões. A teoria econômica tradicional não costuma dar valor a motivações individuais nas decisões financeiras, considerando que os indivíduos tendem a agir de forma racional, pesando expectativas e probabilidades. Psicólogos ligados à economia comportamental contra argumentam, no entanto, que as terias econômicas não conseguem dar conta dos verdadeiros processos mentais por trás de nossas decisões.

Se há uma arena em que as emoções reconhecidamente dirigem a necessidade de consumo é o mercado de ações. Robert Shiller afirma que o estado emocional dos investidores é um dos fatores mais importantes para explicar subidas fortes dos preços. Foi assim nas bolhas dos últimos anos, principalmente a da internet e imobiliária. Tanto no momento de euforia e ganância como de pânico, diz a “teoria das emoções” no mercado financeiro, existe o efeito manada. Decisões de momento podem custar anos de economias.

Fonte: Valor Econômico

Escrito por:
Francisco Barbosa Neto

Diretor da DSD Consultores, iniciou sua atividades em 1989 com atuação em Gestão Empresarial. Como consultor, tem ajudado as pessoas a não perderem dinheiro com o seu negócio, mostrando uma nova maneira de pensar, agir e medir com relação à gestão financeira.

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