Projeto DSD Consultores

Geral - 19/08/2010

Será o fim do “Sonho Americano”?

EUA e Europa enfrentam um dilema para resolver o problema da recessão.

As coisas começaram a dar errado quando os preços dos imóveis despencaram abaixo do valor das hipotecas em 2008. Os investidores perceberam que seu dinheiro estava em perigo e correram aos bancos para resgatá-lo. E os bancos também ficaram a perigo porque tiveram de recomprar as aplicações sem terem recursos para isso, porque o dinheiro estava emprestado a longo prazo e já não havia mais tomadores para os títulos.

Os Estados Unidos se depararam com o fato de que a recessão de 2008 foi pior que a calculada, mesmo com a injeção de quase US$ 3 trilhões na economia americana, tanto pelo Tesouro americano como pelo Fed (Banco Central dos Estados Unidos). Aliado a outros incentivos fiscais, para que a atividade privada se recuperasse e voltasse a avançar com as próprias pernas, evitou o pior, mas não está ajudando a garantir uma rápida recuperação. A economia americana está enferma, ela representa 25% da mundial. A segunda metade está na União Europeia, que apesar da recuperação de alguns países, ainda mantém o clima de pessimismo.

O fantasma no mercado não é a recessão, mas a dívida pública dos EUA que em maio/10 era de cerca de US$ 12,9 trilhões, dos quais US$ 8,41 trilhões em poder do governo e US$ 4,49 trilhões com governos estrangeiros. A dívida corresponde a 92% do PIB. Este custo a longo prazo pode se tornar progressivamente explosivo.

O deficit fiscal do governo (receita – despesa) é de US$ 1,2 trilhões, o deficit comercial é de U$$ 49,9 bilhões e o desemprego está na ordem de 15 milhões e crescendo, porque as empresas se defenderam com forte redução de custos, aumento de produtividade, através da utilização de Tecnologia da Informação (TI) que dispensa mão-de-obra e transferência de unidades de produção para o exterior, principalmente para a Ásia.

O PIB dos EUA é próximo de US$ 14 trilhões. A recessão derrubou as receitas tributárias em 10%, ao mesmo tempo as despesas com tratamentos médicos cresceram 11% ao ano com o desemprego. A taxa de juros básicos está a níveis próximos de 0,25% ao ano e a inflação deve permanecer ao redor de 1% ao ano. A economia continua estagnada, pois 71% do PIB são gastos das famílias e o povo americano está muito endividado (US$ 13 trilhões) para sair às compras.

Afora isso, o crédito permanece apertado porque os bancos não estão plenamente recuperados. Eles estão tentando se livrar dos ativos não honrados pelos clientes e, por isso, mantêm políticas restritivas à concessão de empréstimos, especialmente para pequenas empresas, justamente as que se dispõem a empregar mais.

O dilema da recessão

Atualmente os EUA e a Europa estão enfrentando um dilema, que talvez não exista, para resolver o problema da recessão. Uma maneira seria crescer a dívida pública (política fiscal), através de um grande pacote fiscal para incentivar a demanda para gerar crescimento, emprego e receita de impostos e deixar para depois a arrumação das contas públicas. A outra solução seria buscar a redução da dívida pública (política monetária) desestimulando a demanda através de um severo corte de gastos públicos, retardar a idade da aposentadoria e aumento dos impostos.

Por que não há um dilema? Porque é recomendável e possível nas circunstâncias atuais, manter uma política fiscal agressiva, incentivo à demanda e controle da dívida pública. Seja qual for a forma adotada, precisamos começar a perceber que a economia mundial não pode ser administrada isoladamente, país por país.

Escrito por:
Francisco Barbosa Neto

Diretor da DSD Consultores, iniciou sua atividades em 1989 com atuação em Gestão Empresarial. Como consultor, tem ajudado as pessoas a não perderem dinheiro com o seu negócio, mostrando uma nova maneira de pensar, agir e medir com relação à gestão financeira.

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