Projeto DSD Consultores

Administração, Dívida Pública - 25/07/2012

Que país é este, que o PIB não cresce?

O governo incentivou o gasto das famílias em bens de consumo, mas este modelo de economia está perto do limite.

Para tentar esquentar a economia o governo nos últimos anos incentivou o gasto das famílias em bens de consumo mediante uma política de expansão e redução do custo do crédito, retração das taxas de juros, pleno emprego, aumento salarial acima da inflação e ainda oferecendo incentivos fiscais para alguns setores específicos.

Este modelo (economia doméstica) hoje está perto do limite, devido à cautela do consumidor com relação às tentações de gastar. 25% das famílias do Brasil comprometem 30% da renda mensal com dívidas, conjugado com a forte taxa de inadimplência da pessoa física em torno de 8%.

Na média, segundo estudos da Serasa, cada inadimplente carrega quatro dívidas não honradas e 60% têm dívidas acima de 100% da renda, pagando taxas de juros elevadas, comprometendo crescentemente sua renda.

A prova está nos acanhados números do desempenho da economia no primeiro semestre deste ano, crescimento do PIB próximo da estagnação com acréscimo de 0,2% em relação aos 03 meses anteriores e de 0,0% em relação ao mesmo período de 2011, o que evidencia o momento de desaceleração.

Projeção do PIB

A projeção de crescimento do PIB brasileiro este ano está entre 1,5% a 2,0%. O governo precisa medir a temperatura da economia para enxergar o tamanho da encrenca em que o país está. O agravamento da crise europeia, a frágil recuperação da economia americana e a desaceleração da China resultam em que a economia global não deve crescer mais do que 3%. Resumindo, a economia mundial está parando.

Para não termos problemas, o crescimento do PIB no Brasil deveria ser da ordem de 5%, mas para isso dependemos de 03 fatores da economia:

Investimentos na produção para reduzir os custos de produtos manufaturados em tecnologia para melhorar a produtividade (produzir mais com os mesmos recursos) e em qualidade para acompanhar evolução da demanda. Atualmente estamos numa fase de desindustrialização, a participação dos produtos importados nas vendas de bens industrializados, desde 2008, aumentou 34%. Os produtos não são competitivos, pois as empresas pagam uma carga fiscal que beira 40%, um elevado custo do capital humano, financiamentos insuficientes com altas taxas de juros, a mais cara energia elétrica do mundo, uma precária infraestrutura de portos, péssimas condições das estradas, ferrovias com pequena capacidade e um elevado custo de armazenagem.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 60% dos investimentos são custeados pelas próprias empresas, mas a indústria não investe por não conseguir repassar seu aumento de custos para os preços, porque enfrenta concorrência feroz do produto importado.

Segundo estudos da FIESP, o ciclo médio de produção é de 75 dias, o prazo médio de pagamento dos fornecedores é de 65 dias e o prazo médio de recebimentos das vendas é de 55 dias, mas o prazo médio de recolhimento de tributos é de apenas 31 dias. Desta forma as empresas usam parte do seu capital de giro para financiar os governos.

Uma desvalorização mais intensa do real poderia encarecer o produto importado, mas produziria mais inflação. A única saída seria a derrubada do custo Brasil, empreitada que precisa ser atacada o quanto antes.

Expansão e modernização da infraestrutura. O governo já se deu conta de que novos pacotes destinados a estimular as vendas não vêm reativando a produção, por isso entendeu que deveria atuar na ponta dos investimentos. O problema é que o Brasil tem baixo nível de poupança, 18% do PIB, (a China tem 43% do PIB e a Índia 28%) e sem poupança não há investimento para ajudar a financiar o desenvolvimento do país. Até aos 40 anos as pessoas vivem o presente, e quando chegam perto dos 50 anos acordam para o futuro, aí o tempo de poupar é curto. A outra alternativa seria pelo crédito externo. O problema é que a nossa dívida interna é alta: dos US$ 595,66 bilhões que o governo federal arrecadou em 2011 para pagar suas despesas e investimentos, só com juros da dívida foram gastos US$ 140,95 bilhões, o que corresponde a 5,7% do PIB, contra 1,52% do PIB em investimentos em infraestrutura (a China investe 13,4%, e a Índia 6%). Os investimentos não são somente inferiores às necessidades, mas também aplicados em projetos mal preparados, obras que demoram em começar e, sobretudo para terminar, contratos com empresas despreparadas, convênios com organizações delinquentes e por frequentes denúncias de desvios.

Estudos do Banco Mundial alertam que investimento abaixo de 3% do PIB em infraestrutura levam à deterioração ao longo do tempo. Investimento com aumento da dívida interna geraria aumento da inflação.

A qualidade da educação pública no ensino fundamental médio é o maior desafio que o Brasil enfrenta. Somos um país em que cerca de 50% das crianças da 5ª série em todos os estados são semi-analfabetas. Dos 3,5 milhões de alunos que ingressam no ensino médio, apenas 1,8 milhão se formam e desses só 10% atingem o nível de aprendizado esperado.

Atualmente o Brasil gasta 5,1% do PIB com redes públicas de ensino básico, médio, técnico e superior. Em resumo, jogamos milhões de adolescentes no mercado de trabalho sem nenhuma perspectiva de ascensão social e econômica. O apagão de mão de obra já é uma realidade.

Enquanto os que governam não se convencerem de que o caminho do crescimento é diminuir o peso da carga tributária, investir em educação, aumentar a oferta de mão de obra qualificada, eliminar a burocracia, diminuir juros, investir em infraestrutura e buscar a rigidez orçamentária, vamos conviver com “pibinhos” e às vezes, com períodos curtos de prosperidade.

Escrito por:
Francisco Barbosa Neto

Diretor da DSD Consultores, iniciou sua atividades em 1989 com atuação em Gestão Empresarial. Como consultor, tem ajudado as pessoas a não perderem dinheiro com o seu negócio, mostrando uma nova maneira de pensar, agir e medir com relação à gestão financeira.

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