Projeto DSD Consultores

Administração, Brasil, Geral - 05/04/2013

Porque no Brasil tudo é tão caro

Vivemos dois Brasis: um dos Bancos, com legislação própria e juros livres e outro dos tributos, que cobra 36,2% do PIB.

Vivemos dois Brasis – o Brasil dos Bancos, onde as instituições financeiras podem fixar livremente a sua taxa de juros porque eles têm legislação própria desde a lei 4595/65, denominada como Reforma Bancária. As outras taxas de juros contratadas são regidas pelo Código Civil e não podem passar do dobro do valor dos juros de mora cobradas para o pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional, atualmente em torno de 2% ao mês, se extrapolar este limite o contrato poderá ser declarado nulo.

Pessoa Jurídica (juros)

Conta Garantida: 105,7% ao ano

Desconto Promissória: 52,1% ao ano

Desconto Duplicata: 36,1% ao ano

Capital de Giro: 24,8% ao ano

 

Pessoa Física (juros)

Cartão de Crédito: 193% ao ano

Cheque Especial: 145,5% ao ano

Crédito Pessoal: 48,2% ao ano

Financiamento de Loja: 52,5% ao ano

Veículos: 26,2% ao ano

A taxa Selic está em 7,25% ao ano – (1,41% de juros reais + 5,84% de inflação). A caderneta de poupança antiga paga (6,17% ano + TR = 6,47%), a partir de 04/05/2012 o cálculo da nova caderneta passou a ser (70% da Selic + TR = 6,05%).

Do outro lado temos um Brasil dos tributos (impostos, taxas e contribuições) que cobra dos brasileiros 36,2% do PIB (que mede a atividade econômica do país), particularmente concentrado sobre consumo e produção. Nós iremos trabalhar de 1º de Janeiro/13 até 25 de Maio/13 só para pagar os tributos. Mesmo com a queda bruta do PIB de 7,6% em 2010 para 0,9% em 2012 (China foi 7,8% e a média mundial foi 3,2%), o Governo Federal arrecadou em 2012 a bagatela de R$1.022 trilhão em tributos e gastou R$1.178,21 trilhão, a contrapartida é um serviço público medíocre com uma infraestrutura precária e de quebra 50% das crianças da 5ª série são analfabetas, 150 milhões dependem do SUS onde muitos morrem na fila por falta de médicos e leitos e 50% das casas não tem esgoto.

O Brasil de hoje exibe pleno emprego, o ingresso de 40 milhões de brasileiros na classe C e outros 9 milhões na classe A e B, gerou uma sensação de bem estar na população e explica, em parte, a popularidade do governo. Entre 2004 e 2010 houve uma explosão das commodities que exportamos (minério, petróleo e gêneros agrícolas) e também um extraordinário influxo de capitais estrangeiros que ajudou a financiar um enorme aumento da demanda interna.

Diante desta situação o Governo, nos últimos anos para tentar esquentar a economia, incentivou o gasto das famílias em bens de consumo mediante uma política do milagre de expansão e redução do custo do crédito, retração das taxas de juros, aumento salarial acima da inflação e ainda oferecendo incentivos fiscais para alguns setores específicos. Nos últimos 5 anos o consumo cresceu 4,4% ao ano, a produção 1,8% e a importação 9,8%. Os bancos não se fizeram de arrogados, pegaram empréstimo no exterior à taxa de juros baixa e injetaram em financiamentos imobiliários. Há 10 anos este volume de financiamento era de R$ 4 bilhões, atualmente passam dos R$ 220 bilhões, o que corresponde a 5% do PIB brasileiro. Na crise de 2008 os EUA tinham 65% do PIB em torno de U$S 9 trilhões em crédito imobiliário.

A maioria dos brasileiros recorre a algum tipo de empréstimo

Este modelo (economia doméstica) hoje está perto do limite devido à cautela do consumidor com relação às tentações de gastar; mais de 70% dos brasileiros chegam ao fim do mês com menos salário que necessitam, 80% recorrem a algum tipo de empréstimo para fechar o mês, aliado a uma característica brasileira na qual o que importa é o valor da prestação e não a taxa de juros embutida na prestação, conjugado com a forte taxa de inadimplência da pessoa física em torno de 8%. Na média, segundo estudos da Serasa, cada inadimplente carrega quatro dívidas não honradas e 60% têm dívidas acima de 100% da renda, pagando taxas de juros elevadas, comprometendo, crescentemente, sua renda.

Para crescer de forma sustentada e diminuir a inflação (aumento contínuo de preços de bens, produtos e serviços durante um período) em fevereiro de 2013 foi de 6,2%, a meta de inflação estabelecida pelo governo é de 4,5% ao ano com tolerância de 2 pontos. No Brasil o principal instrumento para combater a inflação é a política de juros, cuja taxa básica (a Selic) é fixada pelo Banco Central. Ao aumentá-la, o BC eleva o custo do dinheiro, tornando mais caro o crédito para o consumo e para expansão da capacidade produtiva. Com menos pessoas e empresas consumindo bens e serviços, os preços tendem a cair.

É fundamental que o Governo pare de investir no consumo e aposte suas fichas na adequação cambial, reduza os custos dos principais insumos (minério de ferro, cimento, derivados de petróleo, entre outros), busque a rigidez orçamentária para pagar a dívida pública (perto de R$ 2 trilhões), invista em educação para qualificar a mão de obra, elimine a burocracia, reduza as taxas de juros bancárias, elimine o cabide de empregos (hoje são mais de 2 milhões de funcionários públicos federais), faça a reforma tributária, crie linhas de crédito para capital de giro das pequenas e médias empresas, elimine a corrupção, busque transparência nas contas públicas e reduza o custo Brasil (investindo em portos, aeroportos, rodovias e ferrovias). No mundo dos emergentes eles colocam em média 31% do PIB em investimento em infraestrutura, no Brasil atualmente é apenas 2% do PIB dos quais a metade provém do governo e a outra metade da iniciativa privada. Esses investimentos deveriam saltar para a faixa entre 4% e 6%, qualquer investimento menor de 3% não cobre nem a depreciação do capital físico existente.

Sabem quais seriam as consequências? As indústrias brasileiras investiriam para reduzir o custo de produção e melhorar a produtividade, preço justo, maior consumo da população, desenvolvimento econômico e social do país, redução da sonegação, informalidade e inadimplência e uma maior arrecadação de tributos. Mas isso depende somente de duas atitudes do Governo: competência e honestidade.

Escrito por:
Francisco Barbosa Neto

Diretor da DSD Consultores, iniciou sua atividades em 1989 com atuação em Gestão Empresarial. Como consultor, tem ajudado as pessoas a não perderem dinheiro com o seu negócio, mostrando uma nova maneira de pensar, agir e medir com relação à gestão financeira.

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