Projeto DSD Consultores

Brasil, Geral - 14/01/2014

Política econômica brasileira: O que esperar de 2014

Analistas de economia não acreditam em mudanças na política econômica brasileira em 2014.

Brasil: a política econômica brasileira fica para depois

A maioria dos analistas da economia brasileira já não espera nenhuma reforma e nenhum ajuste de expressão na política econômica brasileira, em 2014, ano da Copa e Eleições. A inflação de 2013 – (5,91%) superou a média dos emergentes sendo causada por um ritmo forte da demanda, pela expansão dos custos da mão de obra muito acima da produtividade, além da falta de competitividade e incapacidade de inserção na rede global de suprimentos.

Ao longo do ano de 2013, os preços livres avançaram em média 7,27%, enquanto os preços administrados pelo governo, que pesam 25% na cesta de consumo, avançaram apenas 1,5%.

A estratégia de dar prioridade ao consumo acreditando que o investimento viria a reboque deu errado, o crescimento econômico de 2013 (PIB) foi baixo em torno de 1,9%, o saldo comercial foi de US$ 2,561 bilhões, o que representou uma queda de 87% em relação a 2012 e o menor em 13 anos.

A deterioração da política fiscal por aumento dos gastos com pessoal é disseminada nas 03 esferas (Federal, Estadual e Municipal), enquanto que os investimentos em infraestrutura feitos pelo Governo Federal em 2013 giraram em torno de 1% do PIB.

O dólar está se valorizando, com base nos seguintes pressupostos: a deterioração das contas externas o que tende a aumentar a saída de dólares e a ação do Federal Reserve que começou a verificar a sua política monetária e assim, reduzir a oferta de dólares no mercado internacional.

Houve também a excessiva intervenção do governo em decisões próprias do investidor como tabelar o lucro e não deixar os concorrentes das licitações disputarem entre si a menor taxa de retorno, o que gerou uma paradeira nos investimentos.

O BNDES concentrou bilhões de reais em empresas supostamente campeãs nacionais que quebraram, exemplo o grupo Eike Batista e outros.

A equipe do Governo Federal inventou uma operação da venda de sete plataformas de petróleo da Petrobrás que, mesmo sem nunca terem saído do País, adicionaram US$ 7,735 bilhões à receita das exportações em 2013, evitando fechar o saldo comercial no vermelho.

O pior problema de todos tem sido a falta de transparência na divulgação de dados e indicadores que desmoralizam metas e desempenho do governo. É a chamada “contabilidade criativa” – que são truques primários que nunca enganaram ninguém, mas causaram enormes prejuízos à credibilidade e à imagem do País no exterior.

Zona do Euro

Segundo o FMI, a economia do bloco se contraiu 0,4% no ano passado e crescerá em torno de 1% em 2014, a crise não afeta apenas Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, mas também economias mais desenvolvidas, como França e Holanda, que se saíram mal em 2013.

Nem o motor da zona do euro, a Alemanha, ficou totalmente imune apesar de ter reduzido o desemprego, o país teve crescimento anêmico no ano passado. Os problemas são vários: além de paralisia econômica, há o temor de uma deflação (queda de preços, que pode levar a desinvestimentos e falência de negócios) e os persistentes índices de desemprego em alguns países (a média regional é 10%, mas chega a 25% em países como Espanha e Grécia).

Apesar do cenário ainda ruim no mercado de trabalho, a Zona do Euro começa a vencer a recessão e, pelas projeções disponíveis deve continuar nesse rumo.

EUA e os estímulos monetários

O panorama é mais promissor nos EUA, graças ao crescimento do terceiro trimestre do ano passado e a redução no desemprego que chegou a patamares aceitáveis de 7%. Algumas estimativas preveem crescimento de 3% para a economia do país, levando os americanos a experimentar o orgulho do contra cheque.

A mais recente pesquisa mostra que a indústria em dezembro atingiu o seu maior ritmo em dois anos e meio, a construção civil está normalizando, os gastos deste setor em novembro foram os maiores em cinco anos e meio. Em relação a novembro de 2012, os imóveis valorizaram 13,5% nas principais regiões metropolitanas.

Em 2013, o FED emitiu mais de US$1 trilhão em dinheiro vivo que foi empregado na recompra de Títulos do Tesouro dos Estados Unidos e em títulos privados principalmente hipotecas. Desde 2008 no início da crise o FED emitiu US$3,8 trilhões com o objetivo de tirar a economia dos Estados Unidos da paradeira. O otimismo levou o presidente do FED (banco central americano), Ben Bernanke, a anunciar a redução dos estímulos em vigor e a manter a taxa de juros no nível de 0%.

Não está claro até que ponto a medida cumpriu seu objetivo ou se incentivou a especulação financeira global e possíveis bolhas financeiras. E antes mesmo de oficializar-se a redução dos estímulos, o relaxamento da medida provocou em 2013 turbulências nas moedas de muitos países emergentes (no Brasil, fez o dólar disparar).

Nos próximos anos (2020) os EUA vão se tornar auto suficientes em petróleo e gás com o emprego de nova tecnologia de exploração das reservas de xisto.

 China: O difícil equilíbrio

Em 2013, ficou claro que a economia chinesa não voltará a crescer como fez nas décadas anteriores (a um ritmo anual de 10%). Essa mudança de ritmo se deve em grande parte aos pesados gastos dos governos locais em empreendimentos imobiliários, parques industriais e áreas empresariais.

Ainda assim, calcula-se que a China tenha crescido 7,5% em 2013, porcentagem invejável, o problema chinês é que desde a crise global de 2008, a China vivencia uma grande expansão do crédito insustentável.

Além disso, existe um sistema bancário paralelo, pouco regulamentado, também em crescimento no país, que cobram taxas de juros mais altas que os bancos convencionais e copia muitas das práticas que levaram à crise imobiliária americana (subprime). Na capital, Pequim, de 20 milhões de habitantes, existe hoje quase 4 milhões de casas e apartamentos que não conseguem comprador. E a atividade de construção segue em frente como se nada estivesse acontecendo, mas o grande problema é entre os bancos estatais e as municipalidades dominadas pelo PC Chinês. O governo autorizou os governos provinciais e municipais a fazer emissão de títulos para refinanciar os seus débitos empurrando o problema para o futuro e garantindo um ritmo econômico ainda potente neste ano.

 

 

 

 

Escrito por:
Francisco Barbosa Neto

Diretor da DSD Consultores, iniciou sua atividades em 1989 com atuação em Gestão Empresarial. Como consultor, tem ajudado as pessoas a não perderem dinheiro com o seu negócio, mostrando uma nova maneira de pensar, agir e medir com relação à gestão financeira.

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