Dívida Pública
Por que os juros são tão altos no Brasil
Quando se fala em juros no Brasil, as pessoas costumam criticar apenas o Banco Central, no entanto essa avaliação é míope. O problema são os juros que o governo paga pela dívida líquida pública.
Quando se fala em juros no Brasil, as pessoas costumam criticar apenas o Banco Central, no entanto essa avaliação é míope. O problema são os juros que o governo paga pela dívida líquida pública (dívida do Governo Federal em títulos públicos vendidos aqui mais a dívida externa).

Obs.: A dívida bruta pública PIB (dívida líquida pública mais os créditos recebíveis), corresponde a 70,2% do PIB.
O PIB do Brasil (soma de todos os bens e serviços produzidos) é de US$ 1, 579 trilhão, com uma dívida líquida pública de US$ 664 bilhões (42% do PIB), contra uma dívida externa de US$ 204 bilhões que correspondente a 12,9% do PIB (setor público US$ 54 bilhões + privado US$ 150 bilhões), com uma reserva de US$ 250 bilhões, sendo US$ 170 bilhões em títulos do Tesouro Americano, o problema não é a dívida externa, porque temos dinheiro para pagar e ainda sobra um bom troco.
A receita do governo em 2009 (impostos + previdência social + outras entradas) foi de US$ 370,924 bilhões, menos US$ 64,061 bilhões de transferências a estados e municípios, menos US$ 287,188 bilhões de despesa (com investimento, folha de pagamento e previdência social) gerou um superávit primário de US$ 19,675 bilhões que não foi suficiente para pagar os juros da dívida liquida pública de US$ 72,246 bilhões, gerando um déficit nominal do setor público (buraco no caixa) de US$ 52,571 bilhões (-3,3% do PIB).
O superávit primário tem como objetivo pagar parte dos juros da dívida líquida pública, mas com essa política do governo de gastar mais com:
- Eleição;
- Aumento dos salários dos funcionários públicos;
- Aumento dos benefícios sociais;
- Capitalização do BNDES;
- PAC;
- Pré-Sal.
… é fácil imaginar que esta dívida poderá crescer exponencialmente.
Na hora de pagar os juros da dívida líquida pública, o governo opta por dois caminhos: o primeiro reforça o seu caixa com aumento de impostos, hoje os brasileiros pagam 37% da sua renda em tributos, pessoas físicas e jurídicas devem mais de US$ 450 bilhões em impostos atrasados, e no segundo caminho ele vende títulos públicos (Tesouro Nacional e Banco Central) no mercado e sinaliza que está disposto a pagar bem a quem comprá-los. A taxa Selic é utilizada como parâmetro para o pagamento desses títulos, atualmente em 9,5 % ao ano (taxa de juros reais e inflação), em função disto o governo absorve a maior parte do crédito disponível no país, para financiar a sua dívida.
A composição da dívida líquida pública é: títulos pré-fixados 28,23%, títulos corrigidos (pela inflação 28,14% e pela Selic 35,48%) e pelo dólar 8,15%.
Os juros só vão cair de forma sustentada se o governo controlar a inflação, cortar gastos públicos, rever as leis tributárias, buscar a reforma da Previdência Social e enfrentar o cartel dos bancos, para diminuir o spread bancário – a diferença entre o que os bancos pagam para captar recursos dos investidores (10% ao ano) e o que cobram dos empréstimos a pessoas físicas (42,7% ao ano), as empresas (25,5% ao ano), no cheque especial (160% ao ano) e no cartão de crédito (240% ao ano). O spread no Brasil compõe-se de: margem de lucro 27%, tributos e taxas 18,5%, custo administrativo 13,5%, custo de compulsório 3,6% e inadimplência 37,4%. A desculpa esfarrapada dos bancos é que o spread é alto porque a inadimplência é alta.
O atraso em operações de crédito de pessoas físicas ficou em 6,8%, a menor desde dezembro/2005 e o das jurídicas ficou em 3,6%, levando a média a 5%.
Para uma população que ainda não chegou a 200 milhões de habitantes, há hoje mais de 552 milhões de cartões (incluídos os de crédito, os de débito e os de lojas), mas com juros tão elevadas que quem cai nessa armadilha não sai dela facilmente. Tanto se fala em cadastro positivo, ou seja, em cobrança de juros diversificada conforme o perfil do cliente, no entanto, os bancos relutam em adotar esta política porque entendem que ganham mais sem esse instrumento.
O total de empréstimos do sistema financeiro (bancos públicos e privados nacionais e estrangeiros), mais as empresas e pessoas físicas em 2009 somaram US$ 710 bilhões, o equivalente a 45% do Produto Interno Bruto (PIB).
Enquanto que o governo espera que a economia brasileira cresça entre 4,5% e 5,5%, a perspectiva é de que o crédito que hoje responde pela maior parte do resultado financeiro dos bancos cresça na ordem de 20%.

Marcos Paz 30 de julho de 2010 às 12:59
Qual seria saída para governo diminuir os juros em relação a outros pais.
Francisco 3 de agosto de 2010 às 15:03
Marcos,
Os juros só vão diminuir, quando o governo aprender a gastar menos do que recebe através da arrecadação de impostos, controlar a inflação, executar a reforma da Previdência Social e rever as leis tributárias.