Projeto DSD Consultores

Finanças - 08/09/2011

O trem da economia mundial está quebrado

O crescimento mundial quebrou em 2008 e provocou 5 problemas que têm tirado o sono do governo americano.

A locomotiva de crescimento da economia mundial quebrou em 2008 e até agora não encontraram peças para fazê-la funcionar adequadamente. O principal motivo é que as economias dos EUA e da zona do EURO estão obrigadas a passar por uma estruturação financeira que não conheciam desde algumas décadas atrás.

Nos Estados Unidos, epicentro da última e maior crise da historia contemporânea, em setembro de 2008, quando o banco de investimentos Lehman Brothers quebrou por conta do estouro da bolha imobiliária (carteiras hipotecárias sub-prime), a AIG desmoronou e o Merril Lynch entregou os pontos. Grandes empresas, investidores anônimos, bancos de investimentos e fundos de pensão foram juntos para o buraco e o valor dos ativos financeiros em todo mundo reduziu US$ 50 trilhões, o equivalente a toda riqueza produzida por 6,5 bilhões da população humana durante 1 ano.

05 problemas na economia mundial

Como conseqüência, 05 problemas têm tirado o sono do governo americano. O primeiro é o deficit fiscal (diferença entre as receitas e despesas do governo) de US$ 1,6 trilhões. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos toma dinheiro emprestado para cobrir a diferença, o documento entregue para quem empresta é o Título do Tesouro dos Estados Unidos. O problema é que esta operação aumenta a dívida do governo americano (deficit público), e isso exige um programa de corte de despesas públicas e/ou aumento de receitas (impostos).

O segundo é o deficit comercial (exportação – importação) em torno de US$ 800 bilhões. Os americanos são os maiores importadores de matérias-primas e produtos industrializados. O terceiro é o deficit público (dívida interna + dívida externa) que atingiu US$ 14,3 trilhões, dos quais US$ 9,3 trilhões em poder do governo americano e o restante com governos estrangeiros. Nos EUA existe uma lei que fixa um limite para o endividamento público, que já atingiu o teto (US$ 14,3 trilhões). O mercado acha que este custo em longo prazo pode se tornar progressivamente explosivo. O governo tem que elevar este limite para que possa pagar certas contas, como seguro-desemprego, seguro saúde e juros da dívida pública. A estratégia atual do governo Obama (democrata) seria crescer a dívida pública (política fiscal), através de um grande pacote fiscal para incentivar a demanda para gerar crescimento, emprego e receita de imposto e deixar para depois a arrumação das contas públicas, mas sofre atualmente oposição do Congresso (republicanos) para discutir estas novas medidas de estímulo ao crescimento econômico.

O quarto é que cerca de 24 milhões de americanos estão desempregados ou em subempregos, e se não encontrarem ocupação logo, perderão suas qualificações e hábitos de trabalho. E, finalmente, o quinto é que apesar da taxa de juros cobrada pelo empréstimo de dinheiro ser de 1,5% ao ano, isto não é suficiente para girar a roda da economia. Enquanto isto os bancos americanos estão atolados em liquidez, suas reservas são cerca de US$ 1,6 trilhões, que preferem deixar esse dinheiro no FED (Banco Central Americano) recebendo juros de 0,25% ao ano.

Apesar de tudo isso o PIB dos EUA é próximo a US$ 15 trilhões, quase 03 vezes do segundo colocado à China e sozinha representa mais de 25% da economia mundial.

O mais engraçado é que apesar de tudo isto, os títulos da dívida do Tesouro dos Estados Unidos são considerados pelos investidores de todo o mundo como o “ponto seguro” para suas economias, um papel que paga juros baixíssimos para o emprestador, mas cuja liquidez não se discute, pois aparecem na contabilidade do patrimônio dos bancos como dinheiro vivo.

Ao todo, desde a crise de 2008 o FED e o Tesouro injetaram de forma direta ou indireta US$ 2,8 trilhões no mercado para cortar o risco da recessão e garantir uma rápida recuperação da economia. Acontece que os consumidores estão endividados especialmente com compromissos imobiliários. O que poderia mudar este quadro seria uma redução das dívidas habitacionais, de maneira a abrir um espaço no orçamento hoje apertado do consumidor para que ele possa voltar às compras e assim movimentar o setor produtivo. Em contrapartida os empresários se defendem com forte redução de custos e aumento de produtividade através da utilização de Tecnologia da Informação (T.I) que dispensa mão de obra.

Enquanto na Europa, a Grécia com uma dívida pública de 273 bilhões de euros (120% do PIB) e deficit fiscal superior a 13% do PIB, e com a ameaça que a sua crise se estendesse por toda a zona euro, fez com que em maio de 2010 a União Europeia e o FMI fechassem um plano de resgate à Grécia no valor de 110 milhões de euros.

A Irlanda com uma dívida pública de 102 bilhões de euros (63% do PIB) em novembro de 2010 foi a segunda economia do euro a receber um plano de ajuda, num total de 68 bilhões de euros, pois se cair poderá causar um estrago a credores britânicos e alemães que possuem mais de 250 bilhões de dólares em títulos do país.

Em maio de 2011 foi a vez de Portugal, com uma dívida pública 144 bilhões de euros (82,9% do PIB), ser socorrido pela União Européia e pelo FMI, com um pacote de 78 bilhões de euros. Em julho novamente uma ajuda à Grécia no valor de 109 milhões de euros. A Espanha está com uma dívida de 648 bilhões de euros (60% do PIB). A Itália tem um buraco de 1,602 trilhões de euros (101% do PIB), atrelado à crise política e desperta temores de que a gestão atual não tenha força política para implementar um programa de austeridade fiscal.

Os Tesouros da maior parte dos países da zona euro estão quebrados ou muito perto disso. O crédito do sistema bancário europeu está praticamente estrangulado, depende dos recursos do Banco Central Europeu (BCE) que tem restrições para operar com recompra de títulos públicos dos países da zona do Euro, devido aos problemas de endividamento público. O maior problema é a falta de vontade política, a maioria dos governos parece contar com que os países mais fortes, especialmente Alemanha e França, paguem a conta.

Para diminuir suas dívidas públicas (política monetária), os governos da zona do Euro têm procurado desestimular a demanda através de um severo corte de gastos públicos, retardar a idade da aposentadoria, demissões de funcionários, cortes de salários, redução nas aposentadorias e pensões, privatizações de empresas e aumento de impostos, o que no curto prazo resultará em mais desempregos e crescimento econômico mais lento. Em contrapartida a sua população está cansada de ver sua renda e nível de vida desabar, o que pode levar a uma deterioração social e instabilidade política.

Os EUA e a zona do Euro estão enfrentando um dilema. Para resolver o problema de recessão, a estratégia dos EUA seria um grande pacote fiscal para incentivar a demanda a gerar crescimento e emprego e deixar crescer a dívida pública (Política Fiscal), enquanto a da zona do Euro busca a redução da dívida pública (Política Monetária) desestimulando a demanda, o que resultaria em mais desempregos e crescimento econômico mais lento.

A questão é: Qual o melhor caminho?

Escrito por:
Francisco Barbosa Neto

Diretor da DSD Consultores, iniciou sua atividades em 1989 com atuação em Gestão Empresarial. Como consultor, tem ajudado as pessoas a não perderem dinheiro com o seu negócio, mostrando uma nova maneira de pensar, agir e medir com relação à gestão financeira.

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