Projeto DSD Consultores

Administração - 18/01/2010

As empresas quebram por falta de capital de giro

A solidez de qualquer empresa é a sua capacidade de honrar os pagamentos sem a necessidade de fazer empréstimos.

Precisamos entender que é possível uma empresa apresentar lucro e ainda assim ir a falência por falta de caixa.

Capital de giro é o conjunto de valores necessários para a empresa fazer seus negócios acontecerem. É formado pelo conjunto dos seguintes recursos:

  • Dinheiro em caixa;
  • Banco;
  • Estoque;
  • Contas a Receber.

Se o Fluxo de Caixa é considerado o pulmão da empresa, o capital de giro é o oxigênio. Sem ele haverá a necessidade de buscar recursos financeiros junto a terceiros.

A Taxa Selic está em 10,75% ao ano (5,6% de juros reais + 5,15% de inflação).

Pessoa Jurídica

  • Conta Garantida: 93,2% ao ano
  • Desconto Promissória: 52,6% ao ano
  • Desconto Duplicata: 45,0% ao ano
  • Capital de Giro: 26,4% ao ano

Pessoa Física

  • Cartão de crédito 238% ao ano
  • Cheque Especial 163% ao ano
  • Crédito Pessoal 42% ao ano
  • Financiamento de loja: 50,1% ao ano
  • Veículos: 23,8% ao ano

Quando isso acontece, a empresa acaba transferindo boa parte dos lucros aos seus financiadores, pois os juros são altos, e aí nem reza brava consegue salvar a empresa do buraco.

O problema surge no período inicial das atividades, pois o empreendedor não elabora um plano de negócios, que contempla o cálculo da necessidade de capital de giro para pagar as despesas do dia a dia até atingir o ponto de equilíbrio do caixa.

Normalmente ele faz o cálculo correto do lucro, mas esquece de fazer uma previsão de Fluxo de Caixa para os próximos meses.

Venda 100.000,00 100%
Despesa de Venda 20.000,00 20%
Custo Mercadoria Vendida (CMV) 40.000,00 40%
Despesa Administrativa 29.000,00 29%
Despesa Financeira 1.000,00 1%
Lucro 10.000,00 10%

No 1º mês

Venda de R$ 100.000,00 (R$ 40.000,00 à vista + 2 parcelas de R$30.000,00 (30 / 60 dias).

Compra da mercadoria vendida (CMV) de R$ 60.000,00 para pagar R$ 30.000,00 à vista e R$ 30.000,00 em 30 dias.

Despesa de Venda foi R$ 5.000,00, pois comissão e impostos de venda relativos ao mês 1 serão pagos no mês 2.

No 2º e 3º mês

Venda de R$ 84.000,00 (R$ 28.000,00 à vista + 2 parcelas de R$ 28.000,00 (30 / 60 dias).

Compra da mercadoria vendida (CMV) de R$ 40.000,00 para pagar R$ 20.000,00 à vista e R$ 20.000,00 em 30 dias.

No 4º mês

Venda de R$ 120.000,00 (R$ 30.000 à vista + 3 parcelas de R$ 30.00,00 (30 / 60 / 90 dias).

Compra de mercadoria para o estoque de R$ 30.00,00 para pagar em (30 / 60 dias).

Fluxo de Caixa: como recebemos e como gastamos

Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4
(+) Venda 40.000,00 30.000,00 30.000,00
28.000,00 28.000,00 28.000,00
28.000,00 28.000,00
30.000,00
(=) Total de Entradas (A) 40.000,00 58.000,00 86.000,00 86.000,00
(-) Despesa de venda 5.000,00 20.000,00 16.800,00 16.800,00
(-) Custo de Mercadorias (estoque) 30.000,00 30.000,00
20.000,00 20.000,00
20.000,00 20.000,00
0.000,00
(-) Despesa Administrativa 29.000,00 29.000,00 29.000,00 29.000,00
(-) Despesa Financeira 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00
(=) Total de Saídas (B) 65.000,00 100.000,00 86.800,00 66.800,00
Fluxo de Caixa (A-B) (25.000,00) (42.000,00) (800,00) 19.200,00
Saldo Inicial 0 (25.000,00) (67.000,00) (67.800,00)
Saldo Disponível (25.000,00) (67.000,00) (67.800,00) (48.600,00)

Daí que surgem os sintomas do desequilíbrio financeiro:

  • Insuficiência crônica de caixa;
  • Necessidade constante de antecipação de recebíveis;
  • Atraso nos pagamentos de impostos / fornecedores;
  • Dificuldade para pagamentos de salários;
  • Empréstimos bancários;
  • Utilização de cheque especial;
  • Vendas de bens da empresa e até pessoais para suprir necessidade de caixa.

E o pior: justamente nessa hora é que os bancos não liberam empréstimos!
Sabe o motivo?

Porque as instituições financeiras têm a percepção de seu descontrole e não querem correr riscos para efetuar um empréstimo.

O que pode provocar a necessidade de capital de giro:

  • Inadimplência de clientes;
  • Compras em excesso
  • Retração de vendas;
  • Produção em excesso;
  • Compra de itens que demoram a girar ou que não giram;
  • Compras com prazos curtíssimos para pagamento;
  • Vendas com prazos longos para recebimento;
  • Venda com baixa margem de contribuição;
  • Imobilizações desnecessárias;
  • Retiradas por sócios sem o devido planejamento.

Fontes de Capital de giro:

  • Lucros;
  • Capital próprio;
  • Empréstimos / Financiamentos longo prazo;
  • Aporte de dinheiro, através de um sócio ou investidor.

Na maioria das vezes, dar um passo para trás, pode representar a longevidade e o sucesso do negócio.

Para qualquer negócio dar resultado as entradas de caixa devem ser sempre superiores as saídas de caixa.

Escrito por:
Francisco Barbosa Neto

Diretor da DSD Consultores, iniciou sua atividades em 1989 com atuação em Gestão Empresarial. Como consultor, tem ajudado as pessoas a não perderem dinheiro com o seu negócio, mostrando uma nova maneira de pensar, agir e medir com relação à gestão financeira.

  • Vivaldo Caldas

    Muito bom o artigo. Muito didático.
    Parabéns!

  • Julieta Queiroz de Araujo

    Excepcional o artigo; linguagem clara de fácil entendimento.

  • raquel

    Ee stou vivenciando isso em minha empresa!

  • Parabéns, mto bom.

    Ótimo metodo de fácil compreenção!!

    Abraços!!

  • alcione

    Ótimo conteúdo… excelente, de facil compreensão.
    Parabéns, vcs são excelentes profissionaise dividem conosco. abraçoss

  • Joelma Andrade

    Gostei muito,parabéns explicação com bastante clareza!

  • Muito bom o artigo, super didático. Parabéns!

  • Danilo

    Muito bom, parabéns para vocês.

  • Rogerio

    parabens queria alguem assim na minha empresa se tivesse essa informaçao antes meu socio nao teria levado 40.000,00 embora

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