Projeto DSD Consultores

Administração, Brasil - 08/02/2010

Os próximos anos serão os melhores já vividos pela economia brasileira

A economia do Brasil está crescendo. Priorizar o mercado interno é a melhor estratégia neste momento.

O Brasil saiu forte da crise mundial de 2009 porque tínhamos um comportamento previsível e estável, com uma boa performance no sistema financeiro, equilíbrio nas contas públicas (mesmo que seja relativo), com uma taxa Selic de 8,75% que corresponde a uma inflação de 4,62% acrescido de uma taxa de juros reais de 4,13% (ainda é alta), maior oferta de crédito (45% do PIB), nos países mais ricos este valor ultrapassa (100% do PIB), e um crescimento ancorado no mercado interno.

Atualmente há uma deterioração das finanças dos países mais ricos do mundo. As sete maiores economias acumulam uma dívida superior a 50% do PIB mundial (soma de todas as riquezas produzidas) perto de US$30 trilhões, com rombos orçamentários, estagnação da economia, desemprego recorde (média de 10% com tendência de alta) e sem um plano consistente de recuperação.

O Brasil está se transformando em uma das maiores economias de consumo do mundo. A classe C (renda mensal entre R$ 1.116,00 e R$ 4.807,00) representa hoje 90 milhões de consumidores e 44% da renda nacional e a classe D (renda mensal entre R$ 804,00 e R$ 1.115,00) representa hoje 45 milhões de consumidores e 16% da renda nacional. Para as empresas o desafio é entender o comportamento e os valores desses recém-chegados ao consumo e desenvolver estratégias para vender a eles seus produtos e serviços.

Aprendemos nos últimos anos a ter uma visão de médio prazo e pensar mais estratégico. Isso não é o ideal, mas é o começo para quem só apagava incêndio. Nos próximos anos teremos um conjunto de fatores que poderá nos ajudar muito:

  • Eleição de Deputados Estaduais e Federais, Senadores, Governadores e Presidente da República;
  • Copa do Mundo 2014;
  • Olimpíadas 2016;
  • Pré-sal, que poderá tornar o Brasil em 05 anos auto suficiente em petróleo, mas também exportador.

Impacto desses fatores na economia brasileira

O impacto do conjunto destes fatores será um aumento do nível de emprego. Atualmente a taxa de desemprego brasileira está em torno de 7,4% com a tendência de queda, aumento real dos salários, redução da informalidade das empresas, alongamento dos prazos de financiamentos, ampliação das linhas de crédito com juros mais reduzidos pelos bancos públicos, arrastando os bancos privados para a mesma direção, o aporte de investimentos externos e o crescimento da capacidade industrial nacional, mesmo com a desvalorização do dólar que reduz o preço dos produtos importados.

A estratégia de priorizar o mercado interno é a mais adequada para a economia brasileira, pois a disputa do mercado externo pelos Estados Unidos, países Asiáticos e Europeus só tende a radicalizar. No Brasil, as empresas exportadoras provavelmente serão levadas a reduzir seus preços nas exportações e direcionar parte dos excedentes para o mercado interno. Diante desta realidade, o mais provável é que, para garantir a expansão da produção doméstica, o Brasil tenha de continuar incentivando o consumo interno, começar a estimular os investimentos produtivos e administrar a tríade (crescimento, juros e inflação).

O PIB brasileiro (soma de todas as riquezas produzidas no País) passou de (US$ 882 bilhões) em 2005 para (US$ 1,574 trilhão) em 2009, ocupando atualmente a 8ª posição mundial. Em 1º lugar estão os USA com US$ 14,3 trilhões, em 2º lugar Japão com US$ 5 trilhões e em terceiro a China com US$ 4,8 trilhões. As previsões, segundo o FMI, apontam um crescimento do PIB em 2010 para os países desenvolvidos de 1,3%, para o Brasil 5% (2009 foi 0,2%) e a China em 10%.

O Brasil deve instigar o apetite do mercado de capitais por causa da solidez da sua economia. Fechamos o ano com reservas de US$ 239,1 bilhões, em 2002 era de US$ 49,3 bilhões. Não dá para confiar em um modelo de crescimento dependente destes recursos. O aumento no afluxo desses recursos provoca valorização do real e com estímulo fiscal do governo para a demanda pode-se criar a inflação, o que levaria o Banco Central a aumentar os juros. A saída está em aumentar a poupança nacional, para dispensarmos estes recursos que fazem mais mal que bem. O nível de poupança em geral não ultrapassa 16% a 17% do PIB. Enquanto a maioria dos países asiáticos poupa em torno de 35%, a China vai para 51%.

O resultado das exportações de 2009 é o pior desde 1950. A não ser que haja uma série mudança por parte do governo criando uma politíca de incentivo às exportações, o superavit comercial, agora de US$ 25,3 bilhões, deve diminuir mais este ano. No comércio mundial atendemos somente 1% do mercado. Estamos nos transformando em exportador de matéria-prima, produtos minerais e commodities agrícolas que são extremamente sensíveis às oscilações do mercado mundial e não de produtos industrializados com tecnologia avançada. Só para termos um parâmetro, o nosso principal parceiro comercial é a China, que compra 80% das matérias primas e em muitos casos processam lá e exportam o produto manufaturado para o mundo, inclusive o Brasil.

A freada da economia, a queda da arrecadação, a desvalorização do dólar e o aumento dos gastos promovidos pelo governo diminuíram o resultado das contas do setor público que corresponde ao valor gerado por todas as receitas do governo (impostos, previdência social, transferências das estatais para a União, depósitos judiciais e transferências do BNDES) menos a transferência a estados e municípios e as despesas federais (como investimento, folha de pagamento e Previdência Social) e geraram em 2009 um resultado primário de 1,25% do PIB. O problema é que os juros da dívida líquida foram de 4,59% do PIB (EUA pagam pouco mais de 2%), gerando um deficit orçamentário (resultado primário – juros da dívida) de 3,34% do PIB, enquanto na Espanha foi de 8,5%, Portugal 7,6%, Grécia 9,8%, Irlanda 12,2%, Itália 5,4%, Japão 8,2% e EUA 10,7% (que corresponde a US$ 1,4 trilhão, praticamente o PIB brasileiro). Para refinanciar esta dívida o governo vende títulos públicos remunerados pela taxa Selic. Outro problema, porém, é que o Tesouro paga juros mais elevados para captar dinheiro para depois emprestar ao Banco Nacional de Desenvolvimento e Social (BNDES) que paga uma taxa de juros mais baixa.

A dívida líquida total do setor público do Brasil está em 43% do PIB, enquanto na Espanha é 41,6%, Portugal 62,6%, Grécia 94,6%, Irlanda 38%, Itália 100,8%, Japão 104,6%, e EUA 65,2%. Esta nossa dívida líquida interna é composta por 60% de papéis (precificados e atrelados a índices de preços) que têm juros pré-definidos, 33,4% com papéis atrelados a taxa de juros (Selic) e o restante 6,6% ao câmbio. A dívida externa (setor público + privado) fechou em US$ 183 bilhões contra uma reserva de US$ 239,1 bilhões.

As contas externas (saldo balança comercial + saldo balança de serviços + transferências unilaterais) tiveram um deficit de US$ 24,33 bilhões coberto pelo Investimento Estrangeiro Direto (IED) que foi de US$ 25,9 bilhões (em 2008 foi de US$ 45,1 bilhões). Também não foi desprezível a aplicação estrangeira em ações de empresas brasileiras na ordem de US$ 37,1 bilhões.

A taxa de juros reais está em 4,13% ao ano. Nos EUA está 0,18%, na Eurozona 0,74% (exceção a Espanha com 10,6%), Austrália 3,8% e a China 0,39%. Esta diferença, apesar de ser alta, representa uma vantagem porque podemos reduzi-la, enquanto os países ricos não poderão utilizar este instrumento da política monetária, pois as pessoas estão mais pobres, as empresas faturando menos e boa parte da população demandando mais serviço público. Para crescer terão que aumentar o seu deficit orçamentário, situação que estamos livres, na classificação de competitividade do Fórum Econômico Mundial. A posição que o Brasil ocupa é o 56º lugar entre 133 países.

Enfim, a questão mais delicada são os nossos velhos projetos não resolvidos, as reformas tributárias, spread bancário, a baixa taxa de poupança, a falta de investimento em infra estrutura, o altíssimo custo Brasil, o baixo índice de escolaridade, leis trabalhistas ultrapassadas, desvio de dinheiro público, a estrutura pública de baixa qualidade, a burocracia dos processos judiciais e a gastança do governo federal.

E para finalizar não podemos esquecer que estamos num ano eleitoral e que estes projetos não serão levados adiante, atrelado ao fato que o governo federal não vai pensar duas vezes em aumentar suas despesas públicas para ajudar a sua candidata à presidência, o que pode desencadear a inflação ou um surto de desconfiança na capacidade do governo de segurar as rédeas da economia brasileira.

Escrito por:
Francisco Barbosa Neto

Diretor da DSD Consultores, iniciou sua atividades em 1989 com atuação em Gestão Empresarial. Como consultor, tem ajudado as pessoas a não perderem dinheiro com o seu negócio, mostrando uma nova maneira de pensar, agir e medir com relação à gestão financeira.

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