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Administração, Finanças, Fluxo de Caixa - 03/05/2019

Decisões que transformam o Fluxo de Caixa da empresa

A falta de controle do Fluxo de Caixa quase quebrou a empresa. Mas as decisões de mudança construíram um novo cenário.

Em uma indústria de quadros elétricos, Vera, a gerente financeira, presenciava de mãos atadas os excessos e as decisões irresponsáveis da diretoria. Consequentemente, isso comprometia diretamente o Fluxo de Caixa da empresa.

O caminho da quebra da empresa

Durante oito anos ela tentou alertar seus superiores sobre a crise que havia se instalado. Mas as soluções que apresentava eram sempre rejeitadas, pois a diretoria usava seu poder hierárquico para optar apenas pelo que lhe era mais conveniente.

Compras à vista e vendas a prazo

A maioria das decisões comerciais era tomada independentemente das possibilidades financeiras da empresa.

Era muito comum, por exemplo, a indústria atender às exigências do fornecedor e comprar à vista, ficando sem dinheiro para pagar as contas. Da mesma forma era comum facilitar as condições de pagamento para o cliente, vendendo a prazo, apesar da empresa estar com pouco dinheiro em caixa.

Desperdício de matéria-prima

Também havia muito desperdício de matéria-prima por ineficiência de maquinário ou negligência técnica.

Quase sempre que uma máquina apresentava algum defeito, continuava sendo utilizada, mesmo que prejudicasse a produção. Quando parava de funcionar virava sucata, sem ao menos ser verificada a possibilidade de conserto. Em vez disso, investiam em financiamento de novo maquinário, gerando um custo desnecessário e diminuindo a liquidez da empresa.

Mistura de pessoa física com jurídica

As retiradas de dinheiro dos sócios, além do pró-labore, incluindo o pagamento de cartões de crédito, financiamento de veículos e apartamentos, eram outra preocupação de Vera. Porque desestruturavam completamente o setor financeiro da empresa.

Os sócios, porém, não pensavam nas conseqüências dessas retiradas, pois acreditavam que não afetariam o resultado da empresa.

O susto com a realidade

A fábrica perdeu dinheiro pouco a pouco, enquanto a diretoria se mantinha alheia à sua realidade financeira. Até que a dívida ficou maior do que o resultado operacional e os superiores de Vera não tiveram mais como ignorar a necessidade de mudanças.

Após analisar adequadamente a situação, os sócios perceberam que se continuassem mantendo as mesmas práticas de sempre, perderiam o negócio em pouco tempo.

As decisões de mudança

Então concordaram em reorganizar as finanças, fazer um planejamento das medidas que deveriam ser adotadas e respeitar os limites pré-estabelecidos para as negociações.

A partir daí, tomaram as seguintes medidas:

  • os prazos de pagamento e recebimento das compras e vendas passaram a ser definidos conforme o Fluxo de Caixa da empresa;
  • foram estabelecidos novos critérios para as negociações seguintes;
  • foi avaliada a rotatividade de produtos no estoque para manter somente a quantidade que seria utilizada;
  • reajustaram os preços que estavam desatualizados no sistema (a margem de lucratividade já não era mais confiável).

Essas mudanças contribuíram para aumentar o capital de giro e diminuir a dívida da empresa.

Posteriormente foi também verificada a possibilidade de conserto das máquinas que estavam com defeito ou inoperantes. O que diminuiu consideravelmente o desperdício de matéria-prima e os gastos com maquinário novo.

Além disso, foi criado um programa de treinamento e incentivo para valorizar o pessoal e aumentar a produtividade.

A transformação

Após alguns meses, a pequena indústria de quadros elétricos estava completamente mudada:

  • o Fluxo de Caixa da empresa estava sendo controlado adequadamente;
  • havia aumentado a possibilidade de fazer investimentos sem comprometer as finanças da empresa;
  • os funcionários produziam mais;
  • os clientes demonstravam maior satisfação.

As ações implantadas foram imprescindíveis para as melhorias na fábrica. Mas o que realmente fez a diferença nessa nova fase foi a decisão da diretoria em substituir os exageros e as atitudes impensadas pelo planejamento e trabalho constante. Pois esse é o único caminho para transformar uma empresa financeiramente comprometida em um negócio saudável e bem-sucedido!

Escrito por:
Francisco Barbosa Neto

Diretor da DSD Consultores, iniciou sua atividades em 1989 com atuação em Gestão Empresarial. Como consultor, tem ajudado as pessoas a não perderem dinheiro com o seu negócio, mostrando uma nova maneira de pensar, agir e medir com relação à gestão financeira.