Projeto DSD Consultores

Brasil, Dívida Pública - 15/04/2015

O atual cenário do país – Um momento de reflexão

As empresas estão sofrendo com a crise do país. Sobreviverá quem souber planejar, controlar e avaliar suas finanças.

Durante um tempo eu escrevi algumas histórias de pessoas que passaram por dificuldades financeiras em seu negócio e tiveram que se reinventar para obter melhores resultados. Desde então, tenho recebido muitos e-mails de empresários solicitando orientações sobre a situação atual da nossa economia e os possíveis reflexos em seu negócio.

É fato que o nosso país está enfrentando uma crise financeira, moral e política, que tem atingido diretamente os empresários, devido à combinação de alguns fatores.

1- Inflação

A inflação chegou a 8,13% em 12 meses, a maior taxa em 12 anos. E não é por conta da suposta crise mundial que tentam nos empurrar goela abaixo! A origem do problema da inflação pode ser explicada quando há:

• Expansão da demanda em ritmo mais forte que a expansão da oferta;
• Aumento de salários com o empresário mantendo o lucro;
• Expansão dos gastos públicos;
• Pessoas aumentando os preços porque acham que os outros vão ajustar.

O custo de vida do brasileiro está bem mais caro, especialmente neste primeiro trimestre do ano, que concentrou aumento de preços em vários itens que têm peso grande no orçamento das famílias, como a gasolina, o transporte, a energia, e os alimentos.

2- PIB

O Produto Interno Bruto é a medida de renda gerada pelo país. Em 2014, a economia brasileira ficou estagnada, com o crescimento de apenas 0,1%. Esta foi a pior média de crescimento em mais de 20 anos.

Os gastos das famílias correspondem a 62,6% do PIB. Com a inflação em alta, o desemprego mais elevado, os juros subindo e com menos aumento real de salário, as famílias tiveram mais dificuldades para honrar suas dívidas e efetuar suas compras. Assim houve menos espaço para o consumo.

Consequentemente, a confiança das empresas e dos consumidores está em seu nível mais baixo e não deve se recuperar no curto prazo.

3- Juros

O Brasil reassumiu a liderança do ranking mundial de juros reais. O Banco Central promoveu o quarto aumento consecutivo nos juros básicos da economia, para 12,75% ao ano, então o Brasil é a uma das poucas economias emergentes que está subindo essas taxas.

Os juros médios pagos pelos consumidores nas operações de crédito pessoal passaram para 107% ao ano, no cheque especial, pularam para 208%, e nas taxas cobradas para quem usa o rotativo do cartão de crédito, que incidem quando os clientes não pagam o valor total da fatura, subiram para 334% ao ano.

4- Câmbio

O dólar está num patamar elevado por conta do cenário político e econômico conturbado e das incertezas sobre o ajuste das contas públicas brasileiras.

Para a indústria nacional, isso pode significar um aumento das exportações, que poderia ajudar o Brasil a equilibrar a balança comercial. Mas a consequência mais imediata é para o produto importado, porque importamos muitos insumos que alimentam a nossa base produtiva, e a tendência será a alta nos preços, o que representa um fator a mais de pressão sobre a inflação. E para o cidadão comum, a percepção é que se está ficando mais pobre.

5- Rating

Para a agência de risco Standard & Poors (S&P), por exemplo, o ponto nevrálgico de um rebaixamento do risco soberano do Brasil refere-se às contradições do governo, o deterioramento das finanças públicas, somadas às estimativas de desaceleração da economia nos próximos anos. Afinal, um país que cresce pouco também arrecada pouco.

Na realidade, a redução da nota de um país pelas agências de classificação de risco significa que seu acesso ao crédito será menor e que os juros pagos serão maiores.

O mercado, contudo, espera que o Brasil não tenha as portas fechadas no curto prazo, pois a sua nota é alta entre as economias emergentes.

6- Corrupção

A corrupção afeta diretamente o bem estar dos brasileiros porque diminui os investimentos públicos na saúde, na educação, em infraestrutura, segurança, habitação, entre outros.

Na prática, a corrupção ocorre por meio de desvio de recursos para financiar campanhas eleitorais, despesas operacionais de partidos políticos, corromper funcionários públicos, ou mesmo para contas bancárias pessoais no exterior.

O que leva a esta situação é a morosidade da justiça, o corporativismo e fisiologismo dos políticos, pouca transparência dos governos e a falta de mobilização da sociedade.

Concluindo, muitas empresas estão vendendo o almoço para comprar o jantar. Algumas geram lucro, mas não conseguem dinheiro suficiente para pagar as suas despesas financeiras relativo às dívidas, outras tem recebíveis mas estão sem linha de crédito para antecipação, ou com estoque cheio de itens que não giram e com pouca margem bruta.

Apesar de observarmos um cenário de certa forma agravante, mas nem de longe estarmos vivendo uma crise das dimensões que algumas pessoas estão dizendo, a possibilidade de melhorias dependerá da agilidade e reconhecimento do governo da necessidade de correção de rota.

Com relação às empresas, vejo uma janela de oportunidades, apesar da adversidades, para quem conhecer os números do seu negócio e souber enfrentar os problemas com um planejamento adequado, controle e avaliação das suas finanças, principalmente seu Fluxo de Caixa.

Bons negócios!

Francisco Barbosa Neto

Escrito por:
Francisco Barbosa Neto

Diretor da DSD Consultores, iniciou sua atividades em 1989 com atuação em Gestão Empresarial. Como consultor, tem ajudado as pessoas a não perderem dinheiro com o seu negócio, mostrando uma nova maneira de pensar, agir e medir com relação à gestão financeira.

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