Projeto DSD Consultores

Geral - 15/06/2009

Crise mundial, após 01 ano?

Após crise das empresas “pontocom” o FED baixou a taxa básica de juros, induzindo as pessoas ao consumo.

Em janeiro de 2001 as taxas de juros que servem de parâmetro para o crédito eram de 6% ao ano. Após “crise do pontocom”, em 2001, o Banco Central Americano (FED) baixou as taxas de juros dez vezes para 2% ao ano, na expectativa de incentivar a produção, reduzir a taxa de desemprego e induzir as pessoas a consumir.

Com a economia aquecida em 2002 as empresas financeiras especializadas no mercado imobiliário passaram a conceder financiamento (sub-prime) para vender casas com prestações mais baratas que o valor do aluguel. A primeira ideia brilhante foi emprestar dinheiro a longo prazo, juros altos, para clientes sem comprovação de renda, com histórico ruim de crédito tendo as próprias casas como garantia.

Outro fato a ser considerado é: como os preços das residências subiram mais de 70% entre 2002 e 2004 e os juros eram baixos, muita gente refinanciou seus imóveis recebendo dinheiro em troca e utilizou para saldar dívidas do cartão de crédito, de empréstimos pessoais ou comprar bens não-duráveis.

Aí surgiu a segunda ideia brilhante: em busca de lucros maiores, gestores de fundos e bancos compraram a carteira hipotecária (sub-prime) das instituições que fizeram o primeiro empréstimo, permitindo que uma nova quantia de dinheiro fosse novamente emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago.

Como ganância pouca é bobagem, por um processo chamado de Securitização, as hipotecas imobiliárias foram agrupadas e transformadas em títulos negociados pelos bancos de investimentos de Wall Street, para centenas de seguradoras, fundos de pensão e bancos do mundo.

Sinais da Crise

Um dos primeiros sinais da crise foi a retração do mercado imobiliário a partir de junho de 2006 em função do grande volume de oferta de casas. Ninguém queria mais comprar, as construtoras cancelaram as obras e demitiram funcionários. Para conter a inflação, que chegou a 2,9% ao ano (acima de 2% é considerada como nível aceitável), o Fed aumentou a taxa de juros chegando a 5,25% ao ano em 2006.

Em 2007 os bancos reajustaram os valores das prestações das hipotecas imobiliárias, assim muita gente se viu pagando dívidas maiores do que o bem a elas atrelado. Isso provocou o movimento de desistência das prestações por parte dos mutuários e o aumento na inadimplência dos empréstimos forçou os bancos a executarem as hipotecas imobiliárias (sup-prime). A partir daí descobriu-se que os sólidos investimentos em imóveis eram na verdade um castelo de cartas e, facilitada pela escassa regulação dos mercados financeiros e pela fiscalização ineficiente por parte do Tesouro e Banco Central dos EUA, a crise contaminou o mercado mundial. Fundos de investimentos de todo o mundo tiveram de desfazer ativos de outros setores para compensar as perdas dos títulos (sub-prime).

Na semana de 15 de setembro de 2008, quando o banco de investimentos Lehman Brothers quebrou, a AIG desmoronou e o Merrill Lynch entregou os pontos. Grandes empresas, investidores anônimos, bancos de investimentos e fundos de pensão foram juntos para o buraco e o valor dos ativos financeiros em todo mundo reduziu US$ 50 trilhões (valor equivalente a todo PIB mundial ou toda a riqueza produzida por 6,5 bilhões da população humana durante 01 ano).

Uma das causas foi que os bancos americanos, para cada dólar que tinham em capital, acumularam dívidas, em alguns casos superiores a 40 dólares, em função de operações de alto risco e pagando bônus milionários aos banqueiros, baseados em lucros fictícios.

Ao perceber o tamanho da encrenca e para estancar a quebradeira, o governo americano ignorou as leis de mercado e dividiu as instituições financeiras em duas categorias. A primeira formada por 19 bancos (“G-19”), considerados grandes demais para quebrar, e neles injetou algumas dezenas de bilhões de dólares, e a segunda turma formada pelo resto foi deixado para se virar sozinha. Atualmente são vistos como bancos pouco seguros, pois não têm o colchão do Tio Sam e não importa se administram corretamente e geram lucro, a sua sobrevivência está ameaçada. Até agosto/09, 81 bancos americanos já tinham quebrado e outros 400 estão na corda bamba.

Em decorrência disto a turma do “G-19” está sem rivais no mercado e arriscando à vontade, mesmo sabendo que o negócio pode quebrar, pois o governo americano vai estar lá para evitar o pior e o prejuízo será do contribuinte.

Para as famílias americanas cujos gastos representam 15% da economia global e 70% da economia americana, o governo providenciou estímulos fiscais e uma taxa básica de juros entre 0 e 0,25% por ano para incentivar o consumo, aumentar a produção e baixar o desemprego.

Mas isso não ajuda nada, pois eles estão atolados com uma dívida que chegou a 138% da sua renda ou mais de US$ 13 trilhões. Só no cartão de crédito US$ 3 trilhões (equivalentes ao dobro do PIB do Brasil), com poupança zero, salários mais baixos, com emprego ameaçado (taxa atual de desemprego 9,4%, o maior nos últimos 25 anos). E para pagar esta conta vão ter que diminuir o consumo, o que será um problema para a recuperação econômica.

Além disso, 03 problemas estão tirando o sono do governo americano atualmente: o primeiro é que nem ele nem os bancos conseguem calcular o valor dos títulos lastreados em hipotecas ou outros ativos que ainda estão em carteira.

Em julho de 2009, o presidente Barack Obama divulgou sua proposta para inovação do sistema financeiro que precisa ser aprovado pelo Congresso, mas que contempla 02 aspectos importantes:

  • Quanto maior o banco, maior o seu colchão de capital próprio e, portanto, menor sua capacidade de tomar dinheiro emprestado.
  • O bônus será baseado em longos prazos, para que os executivos não atuem de maneira irresponsável em troca de lucros imediatos.

O segundo, talvez o principal fator de risco para a economia daqui para frente, é o deficit fiscal (diferença entre as receitas do governo e as suas despesas) de US$ 1,85 trilhões para o ano fiscal que terminou em 30 de setembro/09, que corresponde a 12,8% do PIB com projeção de 82% do PIB em 2019.

Sendo que as causas são os gastos militares, sistemas de pensões, saúde pública e a queda na arrecadação fiscal.

O terceiro é o deficit comercial, em torno de US$ 800 bilhões anuais. Para resolver esta situação os americanos terão não só de importar menos, mas também voltar a exportar.

Esses dois mega deficits (o orçamentário e o comercial) passaram a viver por meio:

  • Internamente, emissão de dólares.
  • Externamente, pedindo emprestado por meio de venda de títulos do Tesouro dos Estados Unidos (T-Bond) que financia a dívida, adia o vencimento, mas não a diminui, ao contrário pode aumentar.

A conseqüência é que a dívida externa dos EUA (resultado de empréstimos e financiamentos contraídos no exterior pelo governo (70%), empresas estatais ou privadas) é de US$ 14 trilhões e se continuar neste ritmo, haverá um risco enorme. Para começar, teremos a depreciação do dólar e inflação alta, já que o governo vai ter que acabar imprimindo dólar para financiar o deficit, pois com o (T-Bond) vai ser mais difícil vender, desemprego em massa, falência de empresas, baixos níveis de produção e investimentos.

Se este cenário vai acontecer, ninguém sabe. Tudo isto é uma novidade, pois o problema financeiro atual é causado pelo setor privado e não pelo público, o que torna mais difícil planejar os negócios.

Leia também

Brasil sai da recessão, mas não da crise.

Escrito por:
Francisco Barbosa Neto

Diretor da DSD Consultores, iniciou sua atividades em 1989 com atuação em Gestão Empresarial. Como consultor, tem ajudado as pessoas a não perderem dinheiro com o seu negócio, mostrando uma nova maneira de pensar, agir e medir com relação à gestão financeira.

mautic is open source marketing automation