Brasil sai da recessão, mas não da crise
A economia brasileira nos últimos anos (2006-2008) cresceu a passos rápidos, ajudada pelo aumento de preço das commodities (minérios e gêneros agrícolas produzidos em larga escala e comercializados em nível mundial) pelo inédito volume de recursos financeiros externos sob as mais variadas formas, pelo crédito interno tomado pelas empresas, e uma maior condição de compra do consumidor (empréstimos de longo prazo).
Neste ponto é importante entender que o consumidor brasileiro decide suas compras com base se a prestação cabe no seu bolso, independente da taxa de juro cobrada.
O crescimento do crédito para a pessoa física esteve diretamente vinculado ao aumento do emprego, até setembro de 2008 a produção industrial cresceu a uma taxa de 7,1% ao ano, gerando 250 mil empregos por mês em um mercado de trabalho de 21,67 milhões de pessoas e com 44% de carteira assinada. As pessoas se endividavam na esperança que permaneceriam empregadas e teriam ganhado de renda no futuro, o crédito se tornou um dos principais motores da economia, chegou a 44% do PIB um número pequeno se comparado com o Chile, China e os Estados Unidos que emprestaram 82%, 114% e 284% do PIB.
Ao contrário do que aconteceu em crises anteriores, em 1995 com o México, 1997 com os Tigres Asiáticos, em 1999 com a desvalorização cambial, a crise de 2008 nos Estados Unidos, não nos atingiu em cheio, porque os bancos não possuíam papéis ligados a hipotecas de alto risco (sub-prime).
Nestes períodos as reservas brasileiras eram em torno de US$ 50 bilhões contra US$ 200 bilhões atualmente. A dívida pública era superior a 60% do PIB, hoje é 40% do PIB e o saldo comercial era deficitário, agora é superavitário.
É preciso entender que as empresas usam recursos próprios e também capitais de terceiros (financiamento) para pagar as matérias-primas, salários e despesas administrativas para produzir bens ou serviços, depois vendem, geram lucro, pagam o empréstimo do banco e impostos para o governo. Isso deveria ser o caminho, mas a realidade é que por vários fatores as empresas cresceram ou mantiveram seus negócios a custa de dívidas e com a crise, a situação financeira se tornou muito delicada.
Num mundo de incertezas, o dinheiro parou de circular e o principal efeito da crise, surgiu no último trimestre de 2008, a dificuldade de se obter dinheiro, pois 19% da oferta de crédito tinham origem externa.
As empresas brasileiras de grande porte tiveram de correr para as linhas de crédito em moeda nacional e a conseqüência foi o sumiço do crédito (capital de giro) para as pequenas e médias empresas.
Para reduzir os efeitos da crise internacional, o governo criou mecanismos para reanimar o mercado interno, através de redução de impostos, corte da taxa básica de juros, reduziu o depósito dos compulsórios (depósitos a vista, a prazo ou poupança) que os bancos fazem junto do Banco Central, liberando mais dinheiro para produzir, girar a roda dos negócios, voltar a empregar e estimular as operações de crédito.
Mas 02 tópicos precisam ser melhorados para sairmos do buraco literalmente:
- O governo não gasta mais do que arrecada, pois no futuro não se sabe se o país terá dinheiro suficiente para pagar a sua dívida.
- O Brasil sairá de um PIB de 5% em 2008 para algo próximo a zero, e para evitar esta desaceleração é necessário:
- Investimento em sistemas produtivos;
- Reforma no Sistema Tributário;
- Reforma na Previdência Social;
- Diminuição do Custo Brasil;
- Investimento na Educação;
- Investimento em infra-estrutura.
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Vamos ter que ficar em dia com o Leão.
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