Como tudo começou
Após a crise das empresas “pontocom” em 2001, o Banco Central Americano (FED) baixou a taxa básica de juros que serve de parâmetro para o crédito, abaixo de 2% ao ano, para que a economia se recuperasse induzindo as pessoas a consumir o que quisessem.
Para se ter uma idéia, no final de 2008, o financiamento de compras no cartão de crédito chegou a US$ 3 trilhões. Só para comparar, o PIB do Brasil em 2008 (é o valor de tudo que produzimos em bens e serviços em um ano) foi de US$ 1,3 trilhão.
Com a economia aquecida, as empresas financeiras especializadas no mercado imobiliário passaram a conceder financiamento (sub-prime) para vender casas com prestações mais baratas que o valor do aluguel. A primeira idéia brilhante foi emprestar dinheiro a longo prazo, juros altos, sujeito a reajustes, para clientes sem comprovação de renda, com histórico ruim de crédito tendo as casas como garantia.
Outro fato a ser considerado é como os preços das residências subiram mais de 70% entre 2001 a 2004, e os juros eram baixos, muita gente refinanciou seus imóveis recebendo dinheiro em troca e utilizou para saldar dívidas do cartão de crédito, de empréstimos pessoais, ou comprar bens não-duráveis.
Ai surgiu à segunda idéia brilhante, em busca de lucros maiores, gestores de fundos e bancos compraram a carteira hipotecária (sub-prime) das instituições que fizeram o primeiro empréstimo, permitindo que uma nova quantia de dinheiro seja novamente emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago.
Como ganância pouca é bobagem, por um processo chamado de Securitização, as hipotecas imobiliárias foram agrupadas e transformadas em títulos negociados pelos bancos de investimentos de Wall Street, para centenas de seguradoras, fundos de pensão e bancos do mundo.
O FED aumentou a taxa básica de juros 17 vezes entre junho de 2004 e junho de 2006, chegando 5,25% ao ano, em um esforço para conter a inflação que chegou a 2,9%, acima de 2% considerada como nível aceitável.
Um dos primeiros sinais da crise foi a retração do mercado imobiliário a partir de junho 2006 em função do grande volume de oferta de casas, ninguém queria mais comprar, as construtoras cancelaram as obras e demitiram funcionários. A economia dos EUA desaqueceu, os bancos reajustaram os valores das prestações das hipotecas imobiliárias, assim muita gente se viu pagando dívidas maiores do que o bem a elas atrelado, o que fez ocorrer o movimento de desistência das prestações por parte dos mutuários. O aumento da inadimplência nos empréstimos forçou os bancos a executarem as hipotecas e a reconhecerem um grande volume de perdas de títulos (podres), obrigando-os a ficarem mais conservadores.
Fundos de investimentos de todo mundo que tinham papéis no mercado (sub-prime), tiveram de desfazer o ativo de outros setores para compensar as perdas dos títulos (sub-prime). O investidor deixou de confiar em banco, banco deixou de confiar em banco, em 15 de setembro de 2008, o banco de investimentos Lehman Brothers com mais de 150 anos entregou pedido de concordata, e o pânico chegou às Bolsas de Valores.
A taxa de desemprego aumentou, as pessoas perderam o poder de compra e o mercado perdeu liquidez, dando início a crise econômica e financeira mundial que vinha sendo incubada, a vista de todos, e poucos perceberam a sua gravidade.
Para termos uma dimensão desta quebradeira, no início de 2008 o valor total das ações negociadas no mercado das bolsas no mundo atingiu 65 trilhões de dólares, e em 8 de outubro de 2008 a crise corroeu 35 trilhões de dólares.
A dívida atual das famílias americanas, incluindo hipotecas imobiliárias, financiamento de compras ou consumo e cartões de crédito são de US$ 13,8 trilhões valor igual ao PIB americano. Nos últimos anos, a economia mundial cresceu em torno de 7% ao ano, agora a expectativa é ter crescimento negativo nos países desenvolvidos, enquanto o mundo emergente será de 0,5% a 3% ao ano.
Será que eles já chegaram ao fundo do poço?
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Crise Financeira Mundial,
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